Projetos teatrais ampliam debates sobre inclusão e neurodiversidade por meio da arte

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Os desafios vivenciados por mães atípicas e a necessidade de ampliar o acesso de pessoas com deficiência a atividades culturais guiam o desenvolvimento dos projetos “Corpo-alerta: Vestígios de uma Mãe Atípica” e “Sinestesia”, do Laboratório de Teatro da Porto Iracema das Artes. Como desdobramento desse percurso, os trabalhos promovem, ao longo de dezembro, uma roda de conversa e uma apresentação teatral, intensificando o debate sobre acessibilidade e inclusão.

A programação especial tem início nesta terça-feira (2), às 19h, com uma roda de conversa sobre o projeto “Sinestesia”, idealizado por Rebeka Lúcio, Érica Albernaz e Maria Carvalho. Ao propor um diálogo sobre experiências teatrais inclusivas, o encontro discute novas atmosferas de criação e formas inovadoras de encenar teatro infantil para crianças cegas, a partir do uso de sentidos e sensações.

“A ideia do projeto partiu do interesse em ampliar sentidos, pensando em arte para todos os públicos e ativando percepções além da visão. ‘Como podemos pensar em mais sentidos e convidar novos públicos a viajar nas asas da imaginação?’ Assim surgiu o interesse em desenvolver ‘Sinestesia’”, destaca Rebeka Lúcio, artista participante do projeto.

Já no dia 14 de dezembro, às 18h, os artistas Michelle Ferrucio, Rodrigo Melo e Vanderley Peckovsk apresentam os primeiros vislumbres do espetáculo teatral “Corpo-alerta: Vestígios de uma mãe atípica”. A obra explora a corporeidade de mães de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), levando as tensões, cuidados e vigilância constantes desse corpo em estado de alerta para os palcos. O objetivo do projeto é incentivar o público a refletir sobre cuidado, corpo e neurodiversidade ao apresentar experiências de maternidade pouco representadas no teatro.

“O projeto surgiu devido à minha experiência com meu filho autista, nível 2 de suporte, e ao meu cotidiano marcado por imprevisibilidades, rotinas terapêuticas, linguagem corporal intensa e uma escuta sensível. A mãe atípica é também uma figura política: ela luta por direitos. Trazer esse corpo para o teatro é uma forma de dar presença e voz a quem é frequentemente silenciado”, explica Michelle Ferrucio, uma das artistas idealizadoras do projeto.

ROTAS DE CRIAÇÃO

Ambas as atividades compõem a programação das Rotas de Criação, iniciativa que estabelece um primeiro contato entre o público e os projetos culturais desenvolvidos na 13ª edição dos Laboratórios da Porto Iracema das Artes. Os encontros oferecem perspectivas inéditas sobre a concepção e o desenvolvimento de obras artísticas em diferentes linguagens.

Ao todo, serão promovidas mais de 15 atividades culturais relacionadas à música, teatro, dança e artes visuais, ao longo dos meses de novembro e dezembro. Toda a programação é gratuita e aberta ao público.

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