Mesmo sem apoio financeiro, o Festival de Esquetes de Fortaleza será realizado nos dias 14 e 18 de julho

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O Festival, idealizado e dirigido pelo ator e diretor Carri Costa

Fortaleza segue aplaudindo a força do teatro cearense. Mesmo sem apoio financeiro, o tradicional Festival de Esquetes de Fortaleza será realizado entre os dias 14 e 18 de julho, no Teatro da Praia, com entrada acessível e uma intensa programação de esquetes, debates e homenagens.

O FESFORT – Festival de Esquetes de Fortaleza – realiza sua 23ª edição no simbólico palco do Teatro da Praia, reafirmando sua vocação como espaço para a experimentação e formação de artistas. A programação começa sempre às 19h30, com ingressos a R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia), vendidos exclusivamente na bilheteria do teatro.

Criado em abril de 1997, o festival nasceu da necessidade de abrir espaço para trabalhos autorais e curtos de uma geração artística carente de visibilidade. Com o tempo, o FESFORT se tornou uma verdadeira vitrine do novo teatro cearense, contribuindo para o surgimento e a consolidação de centenas de atores, diretores e dramaturgos. Desde 2010, o festival integra oficialmente o Calendário Cultural do Estado do Ceará, por meio da Lei nº 14.796, de autoria do então deputado estadual Artur Bruno.

Um ato de resistência e amor ao teatro

Mesmo com sua longa trajetória e reconhecimento oficial, o FESFORT não foi contemplado no 3º Edital de Apoio a Festivais Culturais do Ceará (PNABCE – Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura) em 2024. Em resposta a essa ausência de apoio, os organizadores decidiram manter o evento de forma independente, com o apoio institucional da Escola de Teatro do Teatro da Praia. Nesta edição especial, o festival acolherá oito esquetes criadas por alunos da escola, que subirão ao palco ao longo da semana.

Prêmios e homenagens

O FESFORT mantém a tradição do Troféu Gasparina Germano, entregue aos destaques do festival em categorias como Esquete, Ator, Atriz, Coadjuvantes, Texto Original, Texto Adaptado, Figurino, Maquiagem, Cenário, Iluminação e Sonoplastia. A premiação leva o nome de uma das maiores artistas cearenses do século XX.

Nesta edição, a atriz Solange Teixeira será a grande homenageada, reconhecida por sua contribuição vital à cena teatral do Ceará. Solange, com sua trajetória sólida e inspiradora, representa o elo entre as gerações e reforça o papel do festival como espaço de valorização da história do teatro.

Quem foi Gasparina Germano?

Gasparina de Souza Germano nasceu em 1918, em Baturité (CE), e iniciou sua trajetória artística aos cinco anos de idade, no bailado O Camponês Apaixonado, em 1923, no Teatro José de Alencar. Diferente de muitos talentos infantis, Gasparina brilhou também na fase adulta, tornando-se uma das maiores atrizes do teatro cearense. Atuou em companhias itinerantes, passando por cidades como Natal, Recife, Maceió, Rio de Janeiro e São Paulo. Ganhou prêmios, elogios e reconhecimento por sua beleza, técnica e presença cênica. Foi chamada de “diva” e comparada a Sarah Bernhardt e Eleonora Duse. Seu legado inclui participações marcantes em montagens como Martin do Golgotá, Trinca de Damas, Zé Fidélis, Valsa Proibida e Ladrão, entre outros. Aos 37 anos, afastou-se dos palcos, mas seu nome permanece como símbolo de excelência artística nos palcos do Ceará.

Comenda Theatro Concórdia

Além do troféu, o festival entrega ainda a Comenda Theatro Concórdia, criada em 2006 para reconhecer trajetórias dedicadas à cultura. Em 2025, os agraciados são:

  • Grupo de Teatro: Grupo Arte de Viver
  • Instituição Teatral: Teatro Morro do Ouro
  • Produção Teatral: Kildare Pinho
  • Personalidade Cultural: Antônio Marcelo

Debates e reflexões

Além das apresentações, o festival promoverá rodas de conversa com a participação dos artistas e convidados como Sâmia Bitencourt e Aldo Eva, propondo reflexões sobre o teatro contemporâneo e os processos criativos dos grupos participantes.

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