Em busca de um novo pacto democrático

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O PT está sendo massacrado, não pelos seus erros, mas por seus acertos: os Brics, Mercosul e Unasul (política externa independente da matriz tradicional), pela defesa da Petrobras e do Pré-sal e pelas políticas de inclusão social. Agora, suas falhas (o pacto de conciliação e as praticas semelhantes aos partidos tradicionais, a pouca ousadia na reforma agrária, reforma urbana, reforma política e, principalmente, a reforma da Comunicação e a reforma do Judiciário) facilitaram a trama dos golpistas, articulados com a embaixada americana.


Depois do Hadad, o MEC morreu. O Ministro da Justiça sempre foi um babaca, que se borrava de medo da polícia federal e dava entrevista à Globo e até à Veja. Deu entrevista até tocando piano, enquanto seus companheiros estavam sendo massacrados por uma mídia devassa e um judiciário seletivo,  e declarava que Dirceu deveria enfrentar os rigores da lei, dizendo como Pilatos “dura lex, sed lex”. Não teve pulso para coibir os vazamentos ilegais e seletivos, deixando correr frouxo. Ter uma ruralista no Ministério da Agricultura, embora tenha tido uma postura corajosa e leal em relação à Presidente Dilma, significava que não mexeria uma palha para favorecer a agricultura familiar, a segurança alimentar livre de agrotóxicos e a proteção ambiental. Depois de Celso Amorim, o Itamarati ficou amorfo e perdeu seu protagonismo. A Saúde teve o aspecto positivo de ampliar a oferta da Atenção Básica, mas acumulou problemas na urgência e emergência, na terceirização desenfreada, na gestão por Oscips, nas cirurgias eletivas, na atenção secundária e no controle das endemias.


O ajuste fiscal não foi compreendido pela classe trabalhadora, que se sentiu perplexa com a ausência de medidas que exigissem maior responsabilidade relativa aos impostos sobre grandes lucros, particularmente dos banqueiros, das grandes fortunas e das grandes heranças. A Presidenta foi de uma fortaleza extraordinária, suportou heroicamente o achincalhe de uma imprensa hostil e golpista, não fraquejou, mas estava só, não tinha interlocutores que propusessem ousadias, mas apenas recuos. Não arredou um milímetro em relação à corrupção. Mas não tinha um Ministro das Comunicações ousado, até o Blog do Planalto era burocrático, não fazia nenhum debate político, só falava praticamente da agenda da Presidente. Já dizia o velho guerreiro “quem não se comunica, se trumbica”.


Não tem a menor dúvida que o golpe, tramado pela embaixada  e grandes empresários petroleiros americanos, pela rede Globo, pelo judiciário (Sérgio Moro, Janot e parte do Supremo) usando a PF como instrumento, em conluio com PMDB (para fazer o jogo sujo do golpe e depois ser descartado) e com o PSDB (que, então, fará terra arrasada do Pre-Sal e se alinhará com a matriz, rompendo com BRICS, Mercosul e Unasul) repetimos, o golpe foi executado por causa dos acertos do PT, mas suas falhas facilitaram a ação do inimigo. 


Confio que Dilma será capaz de renascer das cinzas, como Fênix, e fazer um novo pacto que aprofunde os avanços sociais, impulsione o desenvolvimento com justiça social, amplie a solidariedade e a paz entre os povos e fortaleça, em nosso país, os direitos humanos, combatendo com o povo, a misoginia violenta, o fascismo, a homofobia, o racismo, em busca de uma sociedade livre, democrática, justa e solidária.


Manoel Dias da Fonseca Neto – Médico sanitarista