Cigarro eletrônico supera cigarro tradicional entre jovens

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O cigarro eletrônico, conhecido como vape, tornou-se a principal porta de entrada para a dependência de nicotina entre os jovens brasileiros. Dados do Ministério da Saúde mostram que, enquanto o consumo de cigarro convencional entre adolescentes caiu de 6,8% em 2019 para 5,6% em 2024, o uso dos dispositivos eletrônicos cresceu de forma significativa. No mesmo período, a proporção de fumantes adultos nas capitais brasileiras aumentou de 9,3% para 11,6%, representando uma alta de 25% em apenas um ano.

Segundo o pneumologista Dr. Evandro Alencar Scussiatto, cooperado da Unimed Goiânia, o sucesso do vape entre os jovens está ligado à falsa percepção de que o produto seria menos nocivo que o cigarro tradicional. O especialista alerta que os dispositivos contêm nicotina altamente viciante, além de substâncias tóxicas como metais pesados, formaldeído, acroleína e partículas ultrafinas capazes de atingir diretamente os pulmões. “Não existe tempo seguro de exposição”, afirma.

Um estudo realizado pelo Instituto do Coração (InCor), em parceria com órgãos de vigilância sanitária e pesquisadores da Universidade de São Paulo, revelou níveis alarmantes de nicotina entre usuários de cigarros eletrônicos. Em casos de consumo intenso, as concentrações chegaram a ser até seis vezes maiores do que as registradas em fumantes de um maço de cigarros por dia. A pesquisa também mostrou que muitos usuários desconhecem a composição dos produtos, inclusive a presença de nicotina.

Os riscos à saúde podem surgir rapidamente. De acordo com o pneumologista, já foram registrados casos de insuficiência respiratória aguda, lesões pulmonares associadas ao vape e bronquiolite obliterante após poucos meses de uso. Além disso, o consumo frequente pode provocar aumento da frequência cardíaca, inflamação sistêmica e alterações nos vasos sanguíneos, mesmo em curto prazo.

Especialistas reforçam que abandonar o tabagismo com acompanhamento profissional aumenta significativamente as chances de sucesso. Enquanto apenas 3% a 5% dos fumantes conseguem parar sozinhos de forma duradoura, os índices podem superar 70% quando há tratamento adequado. Diante do avanço do consumo entre os jovens, países como o Reino Unido já adotam medidas mais rígidas, incluindo a proibição progressiva da venda de produtos de tabaco para novas gerações a partir de 2027.

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